A importância do associativismo - José Soeiro

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A importância do associativismo - José Soeiro

Mensagem  Admin em Ter Nov 17, 2009 7:14 pm

Há hoje, como em todas as épocas, pessoas que se mexem, que se associam, que se juntam para mudar o estado das coisas. Mas a ideia do compromisso com os outros e da actividade militante parece estar fora de moda. Os partidos, máquinas de arregimentação militar de activistas ou clubes de interesses e de captação de eleitores, não parecem muitas vezes instrumentos capazes de mudar o que existe, mas sim formas de reproduzir o modo como as coisas funcionam. Mas teremos de nos conformar com isto? Creio que não. Há experiências válidas e estimulantes de participação que todos já tivemos. As formas de activismo são cada vez mais diversas e múltiplas. Não variam só as causas, mas os modos de intervenção e comunicação: das associações culturais aos sindicatos, dos colectivos em torno de uma causa às campanhas específicas, utilizando os tradicionais panfletos ou formas de comunicação como o adbusting (a subversão dos símbolos e da linguagem do poder com mensagens contra-culturais), o youtube, as performaces, as sms, o documentário de guerrilha: todas as linguagens são bem-vindas para falarmos de política.

Por outro lado, a política deve invadir todos os lugares. Não porque tudo seja política nem porque a política nos garanta a felicidade, mas porque a política com P grande é a acção colectiva que, nos espaços do quotidiano (na escola, no bairro, em casa, na rua, no ciberespaço, no trabalho, ...) pode mudar a vida. Esse prazer de nos sentirmos vivos, de estarmos em contacto com outros, de construirmos colectivamente espaços contra-hegemónicos, de ensaiarmos esse outro mundo que queremos nas bolsas de resistência que construímos no presente, é uma experiência fundamental de activismo. Mas todos os que militam por alguma coisa sentiram já a limitação das causas isoladas e a necessidade de ir para além do associativismo: é preciso disputar a política, mudar o Estado, alterar realmente a relação de forças na sociedade - daí a importância dos partidos.

Participar nos partidos é um factor essencial para democratizar a democracia, retirando a política das mãos dos políticos profissionais e dando corpo a organizações e a espaços de activismo que, na sua existência concreta, rejeitem e impeçam que a vida pública seja monopolizada pelos profissionais da política. E é preciso, claro está, criar novas formas de estar nos partidos. As escolhas que se colocam estão para além do exército centralizado de revolucionários ou do clube de votos restringido à participação eleitoral.

Os partidos têm de ser espaços de formação, espaços de intervenção política na sociedade (e não só dirigida ao Estado), redes de comunicação e informação alternativa, centros de partilha de experiência e de tradução entre lutas diferentes, lugares de organização da participação institucional e simultaneamente lugares de militância.

E militância não tem de ser o oposto do prazer ou o sinónimo de carneirização. Nesse aspecto, o militante em nada se assemelha ao militar. É que apesar da raiz comum, em certo sentido, as duas palavras têm significados absolutamente antagónicos. O militar é alguém que nada inventa: recebe ordens, cumpre-as e não lhe é pedido que pense por si. O militante é criador: de ideias e de práticas de mudança. Não abdica do pensamento nem pensa sozinho, porque é capaz de uma coisa mais difícil e transformadora: o militante é aquele que pensa com outros e que se permite construir colectivamente uma reflexão que se transforme em activismo.

É por tudo isto que o apelo anda aí: a campanha de adesões ao Bloco é um convite à militância numa esquerda que vai à luta.

José Soeiro
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